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Segunda, 20 Setembro 2010 00:13

Prezados senhores,

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Eu Ivete, 56 anos, criei meus 4 filhos, para, aos 46 anos de idade, dedicar-me ao curso superior, fazer uma faculdade. Escolhi Comunicação Social-Jornalismo. Um sonho alimentado desde minha infância. Meus pais, mal conseguiam alimentar os10 filhos que tinham. Lembro-me que, aos 7, 8 anos, pela manhã, antes de dirigir-me à escola, mesmo nos mais frios dias de inverno no Oeste do Estado de Santa Catarina, com as mãos congeladas, catava agrião, punha-os em um saco plástico e os trocava por revistas na única livraria da cidade. Ao chegar correndo na livraria, a proprietária, sempre tão sorridente e solícita, retirava as capas das revistas não vendidas para que eu as apanhasse ao meio dia ao sair da escola. As capas eram devolvidas ao distribuidor/fornecedor. Dela, recebia uma porção de revistas, que, de tão pesadas, mal podia carregá-las. Eram Gibis, Fotonovelas e O Cruzeiro(a que mais me interessava). Uma crinaça deveria interessar-se pelos Gibis, mas eu não os lia. Distribuia-as aos irmãos. O meu pensamento e sentimento eram voltados só para a revista O Cruzeiro. Ela sim merecia toda a minha atenção. De volta para casa, ia lendo as revistas "O Cruzeiro" com tanto envolvimento, que ao invés de percorrer 5km em uma hora, levava muito mais tempo para chegar em casa. Escolhia andar pelo precário acostamento da única via rodoviária, afim de evitar ser atropelada por algum automóvel. Ainda menina, sonhava estar em locais cujas imagens apareciam nas páginas das revistas. Eram grandes reportagens das guerras, aventuras, catástrofes naturais, paisagens lindas, outras horríveis, as quais, até hoje insistem em permanecer na minha memória.

Pois bem, após enfrentar dificuldades de toda ordem, formei-me aos 50 anos, em julho/2006. Depois disso, acompanho as lutas travadas em defesa do meu tão sonhado "Diploma de Jornalismo". Essas idas e vindas pela aprovação do Diploma, tem me entristrecido sobremaneira.

Muitas vezes, penso: conquistei-o a custa de muito esforço, dedicação, renúncias, e agora? O que faço com ele? É revoltante. Se eu pudesse voltar no tempo, não escolheria o curso de Jornalismo, mesmo sabendo que alimentei o meu sonho desde criança. A quem interessa frustrar o meu sonho?

De nada adianta o meu solitário protesto e tristezas vividas. Por essa razão, deixo-os fluirem por meio deste e-mail para que tomem conhecimento. Vamos a luta caros colegas! Afinal, o verbo lutar faz parte da minha vida desde o dia em que eu nasci.

Meu melhor abraço a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Diploma de Jornalismo, a Executiva da FENAJ que tem lutado com tanto empenho e brilhantismo, e ao Grupo de Trabalho da Coordenação da Campanha em Defesa do Diploma. Parabéns a todos. Boa sorte! Dia 6 de outubro, vamos arregaçar as mangas e nos mobilizar. Sucesso para todos.

Florianópolis-SC

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