O recado está dado aos empresários da comunicação do Acre: os jornalistas querem valorização salarial e não pretendem aceitar que a defasagem do piso continue sendo tratada como assunto secundário.

A negociação ganhou a mediação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Acre (SRTE/AC), após o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Acre (Sinjac) recorrer ao Ministério do Trabalho diante da falta de avanços nas tratativas sobre o reajuste da data-base de 2026.
A primeira rodada de mediação ocorreu de forma virtual nesta terça-feira, 22, e reuniu representantes patronais e profissionais. O encontro foi convocado oficialmente pelo superintendente regional do Trabalho e Emprego no Acre, Leonardo Lani de Abreu, por meio do Ofício Circular SEI nº 605/2026/MTE.
Para o presidente do Sinjac, Luiz Cordeiro, a reunião foi produtiva, mas a categoria espera mais do que boas conversas: quer resultado.
“Foi uma reunião muito proveitosa. Quero agradecer ao superintendente Leonardo Lani e aos representantes das empresas que participaram. Agora esperamos que os patrões compreendam a realidade dos jornalistas e avancem efetivamente nas negociações”, afirmou.
Segundo Cordeiro, a categoria está tentando negociar o reajuste desde maio. O presidente do sindicato afirma que, ao longo dos últimos cinco anos, houve avanços pontuais, mas o piso salarial permaneceu sem uma valorização capaz de acompanhar as perdas acumuladas e o aumento do custo de vida.
O dirigente também relata que houve resistência de representantes patronais em relação à concessão de reajuste e até mesmo à reposição salarial.
Foi diante desse impasse que o Sinjac buscou a mediação do Ministério do Trabalho.
Jornalista também paga as contas
Para o sindicato, não é possível discutir a sustentabilidade das empresas ignorando as condições de quem está dentro das redações.
“Sabemos que as empresas também enfrentam dificuldades. Mas os trabalhadores também estão passando por uma situação muito difícil. Somos nós que estamos todos os dias nas ruas, muitas vezes debaixo de sol forte, atrás da notícia”, destacou Cordeiro.
A defasagem salarial, segundo o presidente do Sinjac, tem levado profissionais a buscar trabalhos extras para complementar a renda.
“Hoje, alguns profissionais precisam recorrer a trabalhos extras, fazendo bicos fora da jornada profissional, porque o salário e o piso estão muito abaixo do que consideramos adequado para a categoria”, afirmou.
Próxima rodada promete ampliar pressão
Uma nova reunião está prevista para 6 de outubro, quando o sindicato pretende retomar as negociações e cobrar uma resposta concreta dos representantes patronais.
E o Sinjac sinaliza que pretende ampliar a participação das empresas de comunicação no debate, incluindo TV Acre e TV Norte nas próximas tratativas.
O documento do Ministério do Trabalho já havia convocado representantes da TV Gazeta, TV 5 e TV Acre, além do Sinjac, para a mediação referente ao reajuste do piso salarial de 2026.
Agora, a direção sindical quer colocar mais empresas diante da discussão que considera fundamental para a categoria.
A mensagem aos empresários é direta: o jornalista está na rua, produzindo informação, sustentando redações e ajudando a manter a sociedade informada. O que o sindicato cobra é que esse trabalho também seja reconhecido no contracheque.
A negociação continua.
E, desta vez, o Sinjac promete fazer barulho.
