O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre (SINJAC) voltou a chamar atenção para a intensificação da jornada de trabalho da categoria no país, a partir de um levantamento que evidencia o avanço da sobrecarga profissional e da precarização das relações laborais no jornalismo brasileiro.
Segundo estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base na RAIS 2025, 37,6% dos jornalistas celetistas no Brasil trabalham mais de 40 horas semanais. O levantamento aponta ainda uma média de 39 horas semanais na categoria e registra mais de 13 mil vínculos formais com jornadas entre 41 e 44 horas.
Apesar de os números reforçarem uma tendência de alongamento da jornada, especialistas e entidades sindicais observam que os dados podem não refletir a totalidade da realidade do setor, especialmente pela exclusão de profissionais em regimes de trabalho informal, contratos como pessoa jurídica (PJ) e freelancers — modalidades cada vez mais presentes no jornalismo contemporâneo.
No Acre, o SINJAC destaca que o cenário local reproduz, em parte, esse quadro nacional, com profissionais acumulando funções, assumindo múltiplos vínculos e enfrentando jornadas que frequentemente ultrapassam o previsto na legislação específica da categoria. A entidade alerta ainda que a sobrecarga não se limita ao tempo formal de trabalho, já que o exercício jornalístico envolve plantões, coberturas emergenciais e demandas contínuas em ambientes digitais.
O levantamento também ganha relevância no contexto do debate legislativo sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1. Para entidades como a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), qualquer mudança nas regras trabalhistas precisa considerar a jornada especial prevista para jornalistas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), além de mecanismos de proteção à saúde física e mental dos profissionais.
Para o SINJAC, embora o estudo do Dieese contribua para dimensionar parte do problema, ele também evidencia uma realidade mais ampla de desgaste da profissão, marcada pela redução de direitos, aumento da carga de trabalho e necessidade de valorização estrutural da categoria no Acre e no Brasil.
