Neste 20 de setembro, data em que a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) completa 80 anos de fundação, o Sindicato Profissional dos Jornalistas no Acre se une à celebração de uma trajetória gloriosa que se confunde com a própria história das transformações do jornalismo e da democracia no Brasil.

Fundada em 1946, a FENAJ construiu sua identidade e sua força a partir da organização nacional da categoria, compreendendo desde a primeira hora que a defesa intransigente dos direitos dos jornalistas está umbilicalmente ligada à existência de um jornalismo profissional, livre e comprometido com o direito fundamental da sociedade à informação.
Ao longo dessas oito décadas, o Brasil, as relações de trabalho, as redações, as empresas de comunicação e as tecnologias de produção e distribuição de notícias mudaram drasticamente. E a FENAJ soube se transformar junto com o país, incorporando novos e complexos desafios sem jamais abandonar os princípios que alicerçaram sua história.
A trajetória de lutas da Federação é marcada por sua presença ativa nos momentos mais decisivos da história brasileira. A entidade esteve na vanguarda das lutas pela regulamentação da profissão e pela formação dos jornalistas, enfrentou com coragem os anos da ditadura militar, desempenhou papel fundamental no processo de redemocratização e deixou sua marca nos debates da Assembleia Nacional Constituinte. Sempre associou os direitos profissionais às liberdades de expressão e de imprensa, à ética jornalística, à democratização da comunicação e à busca por informação de qualidade para a sociedade.
Articulando nacionalmente os sindicatos de jornalistas, incluindo a nossa voz aqui no Acre, a FENAJ converteu as reivindicações da categoria em bandeiras de âmbito nacional, ecoando pautas como emprego, salários, jornada profissional, formação, regulamentação, liberdade de imprensa, ética e segurança no exercício da profissão por gerações de jornalistas.
Os desafios de hoje exigem tanto vigor quanto os do passado. A concentração dos meios de comunicação, a redução e precarização das redações, a violência contra os profissionais, a expansão das plataformas digitais e o avanço da inteligência artificial gerativa impõem novas frentes de batalha. Questões históricas seguem no centro da agenda, como a mobilização em torno da PEC do Diploma, a defesa da regulamentação profissional frente a retrocessos (como na reação à Lei do Multimídia no STF), a luta por condições dignas de trabalho diante da pejotização e da terceirização, e a busca por sustentabilidade econômica para o jornalismo frente ao poder econômico das grandes techs.
Aos 80 anos, a FENAJ não celebra apenas o seu passado; renova o seu compromisso inegociável com o futuro. Das máquinas de escrever à inteligência artificial, do rádio às plataformas digitais, as ferramentas mudaram, mas permanece intacta e atual a missão que atravessa essas oito décadas: defender os jornalistas, fortalecer o jornalismo e lutar pelo direito da sociedade brasileira à informação correta, verificada e de qualidade.
Parabéns, FENAJ, por oitenta anos de história, coragem e luta em defesa da nossa profissão e da democracia!

